segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ìcones dos nossos tempos- Citroen 2cv

Vamos começar a semana do vicio dos carros a falar de um modelo icónico vindo da terra dos croissants, das baguetes e da moda, vamos falar de um carro que se fosse chamado de barco não seria nada estranho, um carro que foi concebido para transportar pessoas, um farnel de pic-nic, e um cesto com ovos através de um campo lavrado sem danificar nada. Vamos falar do Citroen 2cv.

Falar-vos do 2cv e quase como rezar a missa ao padre, todos vocês conhecem perfeitamente o 2cv, é um barco em que da gosto andar. Tenho muitas histórias passadas com um bom amigo num carro destes, momentos de brincadeira que ficaram para sempre na minha memória, e certamente muitos de vocês terão também grandes histórias com estes modelos.
Digamos que não era um carro rápido, muitos dos seus donos quando questionados pela velocidade deste modelo diziam que ele fazia dos 0 aos 100 em aproximadamente um dia, no entanto este modelo concebido pela Citroen nunca foi feito para ser rápido.  Idealizado pelo Vice- Presidente da Citroen, Paul Boulanger, para ajudar a motorizar o grande número de agricultores que ainda utilizam cavalos e carroças em 1930 na França, o 2CV é conhecido pela sua combinação de engenharia inovadora, minimalista e utilitária, carroçaria de metal simples o 2CV tinha um custo de aquisição muito baixo, cerca de metade do preço de um vw carocha. Fabricado em França, entre 1948 e 1989 (os seus dois últimos anos em Portugal 1989-1990), mais de 3,8 milhões de 2CVs foram produzidos, juntamente com mais de 1,2 milhões de pequenas vans de entrega baseadas no 2CV conhecidos como Fourgonnettes. A Citroen, em última análise ofereceu uma série de variantes idênticos mecanicamente incluindo o Ami (mais de 1,8 milhões) a Dyane (mais de 1,4 milhões) o Acadiane (mais de 250.000) e o Mehari (mais de 140.000 ). No total, a Citroën fabricou mais de 8,8 milhões de carros que tem como base o 2cv.


















Este modelo extremamente minimalista teve como criadores da sua mecânica Walter Becchia e Lucien Gerard. Era um motor refrigerado a ar, a quatro tempos, com 375 cc na sua primeira versão, com válvulas à cabeça e uma câmara de combustão hemisférica. O mais antigo era notoriamente fraco, a potência desenvolvida era apenas 9 cv. Um motor de 425cc foi introduzido em 1955, seguido em 1968 por uma 602 cc com 28 cv as 7.000 rpm. Com o motor de 602 cc, a classificação fiscal do carro alterado de modo que se tornou, de facto, um 3CV, mas o nome comercial permaneceu inalterado. Um motor de 435 cc foi introduzida ao mesmo tempo na substituição do 425 cc, o carro foi então batizado de 2CV 4, enquanto o 602 cc tomou o nome 2CV 6. O motor de 602 cc evoluiu para o M28 33 cv, em 1970, este foi o motor mais potente instalado no 2CV.

Outra das características únicas deste modelo é a quantidade de versões que este modelo teve, muitas delas perfeitas desconhecidas da maioria de vocês, mas nos por ca gostamos mesmo e disso versões únicas. Entre elas encontram-se as versões cabrio e coupé desenvolvidas sobre a base do 2cv.
A primeira de que vos quero falar e a versão Radar, desenvolvida por Robert Radar, era um corpo de fibra de vidro sobre o chassi de um 2CV. Em 1956 Robert Radar construiu alguns protótipos na sua garagem Citroen em Liège, na Bélgica. a Citroen Bélgica estava entusiasmada com este modelo e decidiu produzi-lo como um Citroen 2CV oficial. Fabricaram cerca de 50 e acrescentaram o modelo chamado 2CV "Radar" ao seu catálogo, mas em 1958 e 1959, apenas 25 foram vendidos e produção cessou.



Outro destes modelos mais excêntricos foi o pequeno UMAP. A sigla significa UMAP Usine Moderne d'Aplicações Plastiques. A UMAP produziu o SM 425 e SM 500 a partir de 1957, dois coupés externamente idênticos com base no Citroen 2CV. Em 1958, a produção foi descontinuada.





Outro destes fantásticos 2CV unicos foi o Sahara, com tração nas quatro rodas este carro era equipado com dois motores (12 cv cada), cada um com um tanque de combustível separado. Um foi montado na frente impulsionando a frente e um na parte de trás para as rodas traseiras. Uma única alavanca de velocidades, pedal de embreagem e acelerador estavam ligados a ambos os motores. Era originalmente destinado a ser utilizado pelas colônias francesas no norte de africa. Entre 1958 e 1971, a Citroen construiu 694 Saharas, mas apenas 27 são conhecidos como existentes hoje. A velocidade máxima era de 65 km/h com um motor, mas aumentava até 105 km/h, com ambos os motores em funcionamento.








Para alem desta quantidade de modelos únicos. existem também pela internet grandes 2cv desenvolvidos nos dias de hoje por entusiastas com looks mais próximos do s dias de hoje, bem como restauros feitos a medida de cada um. Esta imensa quantidade de projetos com base no 2cv fala por si, este modelo da citroen presta-se a ser modificado com bom gosto. E é por isto que considero que este modelo da Citroen um ícone era um carro versátil, fácil de conduzir, com um a mecânica brilhante sem ser exageradamente complicada, enfim era um carro feito para o povo, e como disse anteriormente, normalmente estes carros feitos para o povo eram bem acolhidos pelo povo.


















Acho que nos dias de hoje as marcas deveriam pensar um pouco mais como a Citroen fez neste carro, nos não precisamos de tantas bijuterias, precisamos de carros como este, carros que eram feitos para nos locomover, e não para nos deixar na estrada. 

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros.





















sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Excentricidades - Custom Vans

Os anos 70. Calças bocas de sino, permanentes, bigodes fantásticos, suíças, ou patilhas, como preferirem, cerca de 30 séries policiais na TV ao mesmo tempo, colarinhos de camisas dobrados por cima dos casacos e drogas, todo o tipo de drogas.

E apesar de o nosso vício por aqui serem os carros, foi o consumo recreacional de drogas associado a um estilo de vida meio hippie que deu origem ao movimento de que vamos falar hoje nas Excentricidades.

Por norma, optamos por falar de um modelo de carro específico, mas esta semana vamos abordar um tipo de veículos: furgões modificados ao estilo dos anos 70.

Seguindo as origens desta tendência, vamos inevitavelmente pensar nas VW pão-de-forma da década anterior com pinturas feitas à mão, pranchas de surf no tejadilho e símbolos da paz por todo o lado, mas desde cedo os norte-americanos começaram a fazer furgões originais, Ford, Chevy, Dodge, todas criaram os seus modelos, independentes da linhagem das, muito mais tradicionais, pick ups.




Não demoraria muito até uma geração de teenagers perceber que estas "vans" eram perfeitas por serem veículos baratos e extremamente práticos, uma espécie de espaço privado, onde muitas actividades que a supervisão dos pais prejudicaria significativamente poderiam decorrer livremente. De um momento para o outro, ter uma van, um furgão, era fixe, mas tal como o resto da industria automóvel parecia indicar, para ser mesmo fixe, a van teria de ser personalizada, distinguindo-se da multidão, como um Hot Rod, ou um Muscle Car, ou até um Lamborghini.



As pinturas em tons psicadélicos, as jantes e grelhas cromadas, os spoilers, escapes laterais, luzes suplementares, degraus, janelas escuras, tapadas, redondas, ou com estores exteriores eram alguns dos elementos que caracterizavam estes veículos, com interiores forrados a veludo, colchões de água e um par de dados de peluche pendurados no espelho retrovisor. Groovy.





Apesar deste movimento estar tão associado aos anos 70, aquele que provavelmente é o furgão personalizado que melhor conhecemos ficou célebre nos anos 80, conduzido por B.A. Baracus na série "Soldados da Fortuna", mais tarde rebaptizada de "Esquadrão Classe A". Uma GMC Vandura preta, cinzenta e vermelha, com jantes especiais raiadas e pneus com letras brancas.




Na Europa este movimento não passou despercebido, paralelo às autocaravanas, existe efectivamente um nicho de Fords Transit, Bedfords CF, Fiats Ducato, VW Transporter, etc etc, fortemente modificadas, bem ao estilo americano. A própria Ford criou as suas Transit modificadas, chamadas Supervan, cuja primeira interpretação surgiu em 1971, com mecânica do GT40.








Toda a gente gosta de um furgão personalizado, é o tipo de veículo que não é pretensioso, mas que tem pinta e impressiona as miúdas. Talvez no fim do dia não vá fazer corridas contra Ferraris, mas a verdadeira festa vai ser na parte de trás, e estamos todos convidados.




































Gonçalo Sampaio, no Vício dos Carros

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Criadores de sonhos-Sergio Scaglietti

Hoje no vicio fala-se de estilo, e hoje vamos falar de um criador de carrocerias que era respeitadíssimo pelo grande Enzo Ferrari. de tal forma respeitado que o grande mestre lhe entregou a criação de alguns grandes modelos da Ferrari, que hoje em dia valem milhões. Um construtor que fazia todos os paineis das suas carrocerias manualmente, como os verdadeiros artesãos. Falo-vos do mestre, do grande, do inimitável, do genial construtor de sonhos, falo de  Sergio Scaglietti.



















Sergio Scaglietti fundou a Carrozzeria Scaglietti, juntamente com o seu irmão e um ex-colega, em 1951, em Maranello, na Itália, com 17 anos.  A oficina estava perto da fábrica da Ferrari, e o mestre Enzo Ferrari foi um fã do trabalho desde o inicio da sua empresa. Sergio foi encarregado de projetar e criar carrocerias para Ferrari, praticamente desde o inicio da sua empresa.

No final dos anos 1950, com Enzo Ferrari como o intermediário Sergio expandiu muito a sua empresa, e começou a construir inúmeros Ferraris de produção para projetos da PininFarina.
os Corpos de Scaglietti foram sempre muito leves e aerodinâmicos e, portanto, a Carrozzeria Scaglietti tornou-se a marca de eleição para o programa de corridas da Ferrari.
Scaglietti foi sempre conduzindo os seus projetados pelos olhos, deixando o seu próprio bom gosto, a compreensão da aerodinâmica, estilo e função a ditar os seus projetos. Ele simplesmente moldava o  corpo diretamente sobre o chassis sem fazer desenhos com antecedência. Painel a painel cada corpo 'cresceu' sobre os chassis.
















As criações de Scaglietti estão entre os mais procurados no mundo. Três de seus projetos mais lendários pertencem aos carros mais caros do mundo: o lendário Ferrari 250 GTO, o elegante 250 GT California  e o notavelmente estiloso Ferrari 250 TR, na minha opinião e na de muitos o Ferrari mais marcante de sempre
Scaglietti é reconhecido pelo "encosto de cabeça" que pode ser visto inúmeros Ferraris de corrida dos anos 1950 e 1960, um projeto em desprezado por Enzo mas defendido pelo filho de Enzo, Dino.
Além dos corpos de muitos Ferraris e dos variadíssimos projetos de  design para a casa Pininfarina, Scaglietti também construiu algumas carrocerias para clientes individuais sobre os chassis da Ferrari , Corvette e Alfa Romeo por exemplo.

















No final dos anos 1960  juntou-se com a  Ferrari, Scaglietti  vendeu o  seu negócio há Fiat com a ajuda da ferrari. Scaglietti continuou a gerir a carrozzeria até sua reforma, em meados de 1980. A marca Scaglietti tornou-se propriedade da Ferrari em 1977 e o nome Scaglietti é agora usado para a produção do Ferrari 612 Scaglietti.
Este é o meu tributo a um dos mais influentes criadores de Ferraris de sonho de sempre, o mestre Scaglietti

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros