terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Lendas do padock-Tyrrell P34

Hoje nas lendas do padock vamos falar da fórmula 1, sim porque nos padocks não circulam só carros de turismo. Este formula 1 de que vos vou falar é um modelo único, no que a fórmula 1 diz respeito. Este modelo em particular é de tal forma lendário que teve inclusive a sua silhueta caricaturada numa serie de desenhos animados, as wacky races, falo-vos do único modelo da formula 1 com seis rodas, e não, não estou a falar de um camião, estou a falar do Tyrell P34.
O Tyrrell P34 (Project 34), também conhecido como o "seis rodas", era um Fórmula Um projetado por Derek Gardner, designer-chefe da Tyrrell. O carro usava quatro rodas frontais especialmente fabricados de 10 polegadas de diâmetro, com duas rodas de tamanho normal na parte de trás. O projeto de seis rodas reduziu o arrasto que teria sido causado por duas rodas dianteiras maiores, aumentou a área de contato total dos pneus dianteiros e criou uma superfície de travagem maior para os discos de travão frontais, 4 em vez dos usuais 2.

Quando foi apresentado, o véu foi retirado da parte traseira para a frente e os suspiros coletivos de imprensa mundial disse tudo. Juntamente com o Brabham BT46B "fancar", desenvolvido em 1978, o Tyrrell de seis rodas foi um dos projetos mais radicais de sempre a ter sucesso na Fórmula Um (F1), e foi reconhecido como o projeto o mais conhecido na história do mundo do desporto automóvel.
Correu pela primeira vez no GP da Espanha, em 1976, e provou ser muito competitivo. Tanto Jody Scheckter e Patrick Depailler foram capazes de produzir resultados sólidos com o carro, mas enquanto Depailler elogiou o carro continuamente, Scheckter percebeu que seria apenas temporariamente competitivo. Os pneus Goodyear especiais não estavam a ser desenvolvidos o suficiente. O momento de ouro do P34 veio no GP da Suécia. Scheckter e Depailler terminaram em primeiro e segundo, e até à data Scheckter é o único piloto a vencer uma corrida em um carro de seis rodas.
Para 1977, Scheckter foi substituído pelo sueco Ronnie Peterson, e o P34 foi redesenhado em torno aerodinâmica mais limpa. O P34B era mais largo e mais pesado do que antes, e, apesar de Peterson ter conseguido alguns resultados promissores para o P34B, tal como Depailler, ficou claro que o carro não era tão bom como o anterior, principalmente devido a uma falha do fabricante dos pneus para desenvolver adequadamente os pequenos pneus dianteiros.
 O peso adicional do sistema de suspensão dianteira também é citada como uma razão para terminar o projeto. Tyrrell ainda tentou uma "ampla faixa" P34B para melhorar a sua manipulação, mas isso colocar as rodas dianteiras para fora atrás das carenagens nariz e reduziu os ganhos aerodinâmicos de ter quatro rodas dianteiras pequenas. Assim, o P34 foi abandonado para 1978.
Mais recentemente, o P34 tem sido uma visão popular em eventos de corrida históricos, provando uma vez mais competitivo. Em 1999 e 2000, o P34 ressuscitado competiu em uma série de circuitos britânicos e europeus na série FIA Thoroughbred Grand Prix. Conduzido por Martin Stretton, o carro ganhou a série TGP em 2000, com o carro irmão a repetir esse sucesso em 2008 nas mãos de Mauro Pane. Stretton também alcançou inúmeras pole positions e vitorias no Grande Premio do Mónaco Histórico, o que prova a capacidade competitiva deste inusitado Tyrrell.

Uma verdadeira lenda, único no desporto motorizado, que no entanto provou que la por ser diferente não quer dizer que sejamos piores que a concorrência, muito pelo contrário.

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros














segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Ícones dos nosso tempos-Datsun 220c


Para começar a semana vamos falar sobre um carro do país onde dizem que nasce o sol. Um carro que certamente os que são da minha geração não se recordaram, no entanto quem teve o prazer de andar em algum recorda com muita saudade. E uma pena que já não existam muitos a circular, seriam certamente uma opção muito atrativa para quem procura um cruiser com muita pinta. Falo-vos de um Datsun que foi profusamente usado como táxi nas nossas praças no final dos anos 70 princípio dos anos 80, falo-vos do Datsun 220C, nomeadamente da sua quarta geração.
Este modelo que para alguns e completamente desconhecido, fez parte do catálogo Datsun em Portugal principalmente para uso como táxi, o que limitou a sua exposição ao público em geral, no entanto as suas qualidades de robustez, e fiabilidade mecânica era há prova de bala, o que levou a que fossem usados praticamente até há exaustão. Infelizmente grande parte foi abatida, um crime na minha opinião.


















Era um modelo de luxo com muita classe e um certo charme de rufia civilizado que na minha opinião o tornam uma excelente base par quem procura um clássico diferente. Em termos mecânicos as versões mais facilmente encontradas na europa são os diesel com o motor a ser idêntico aos das Nissan pick up da altura, o sd22, com 2.2cc e muita força bruta, já no que toca a velocidade esta não era a versão a procurar.
Dentro do catálogo proposto no japão esta aquele que mais me fascina, um 6 cilindros com 2.8cc, de 135 cv presente no Nissan Cedric coupé, mais conhecido nos mercados europeus como o 280c. Este sim era uma máquina com pinta,muita, muita pinta, era um sedan sem pilar B, muito ao estilo dos cadillacs da altura, e na verdade este era um verdadeiro Cadillac nipónico.

Deixo-vos com algumas fotos deste carro icónico que marcou presença em Portugal na década de 70 e início de 80 e fez frente aos mercedes da época, mostrando que não e preciso ser enfadonho para ser resistente. Um ícone de outros tempos que marcou pelo estilo, e como é óbvio pela robustez nipónica.

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros.





















sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Excentricidades - Ford Orion RS

Decidimos inaugurar mais um novo espaço, porque somos mesmo, mesmo viciados nisto.

Aqui vamos dar-vos a conhecer projectos individuais de todo o mundo, com especial atenção para carros que normalmente sejam um pouco injustiçados.


Sem medo de rótulos, este é o espaço do Vício dos Carros mais direccionado para o tuning.


Vamos começar por este belo exemplar: Um Ford Orion. 




Logo à partida, este Orion destaca-se da multidão pelas suas jantes especiais ao estilo Touring Car, umas Compomotive TH e o seu pára-choques dianteiro do Escort RS. Mas a modificação deste carro é mais profunda.



O que começou como um Orion 1.3, é agora alimentado por um 1800cc de 130 cavalos do Fiesta RS, acoplados à caixa de velocidades de um RS Turbo. Os travões também vêm desse carro.


Atrás encontramos a asa traseira de um Sierra Sapphire RS, mas a verdadeira surpresa está no interior, que foi completamente despido, apenas apresentando o tablier de origem, dois bancos Recaro e um volante RS, como não podia deixar de ser.





O resultado parece-nos bastante interessante, certamente digno das letras que ostenta nas diversas peças que adoptou de outros modelos. 


Este é o Ford Orion... RS.



Gonçalo Sampaio, no Vício dos Carros

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Criadores de sonhos-Zagato

Hoje no vício dos carros vamos dar início a uma nova rubrica onde vamos falar dos senhores por trás dos nossos objetos de desejo. Vamos falar de estilo, muito estilo. Vamos conhecer os criadores de sonhos, os seus projetos, e os modelos mais emblemáticos criados por eles. Para começar vamos falar de um senhor que deu origem a casa de design que criou alguns dos modelos, que eu pessoalmente mais aprecio. Vamos falar de Ugo Zagato, e da Zagato.
Comecemos pelo homem que deu o nome a esta instituição no que toca ao design, Ugo Zagato nasceu em junho de 1890. Sua carreira profissional levou-a ate indústria aeronáutica o que mais tarde se revelou uma grande influência sobre o seu design, em 1919 Ugo Zagato abriu a sua empresa, localizada em Milão. Especializou-se na construção metálica leve onde aplicou muito das técnicas que foi aprendendo durante o trabalho na indústria aeronáutica. A empresa cresceu rapidamente, e com ela cresceu também a reputação para a criação de automóveis aerodinâmicos, leves, desportivos e competitivos.












Desde o seu início a casa Zagato foi sempre extremamente requisitada para a criação de projetos sobre automóveis de todas as marcas, Alfa Romeo, Lancia, Fiat, Bugatti, Ferrari, Lamborghini, Rolls Royce, e praticamente todas asa marcas que possam imaginar a Zagato em alguma altura produziu um modelo especial, pelo que seria impossível abordar todos os modelos criados por esta casa num só post.
Ate finais dos anos 50 a Zagato estava mais focada na competição, e na criação de pequenas series de carros para competições como a mille miglia, aos campeonatos de Gt onde brilhou com as suas carrocerias durante varias décadas. Ate que por volta dos anos 60 houve uma viragem na orientação da empresa dando mais importância a carros de produção limitada com bases maioritariamente italianas. Em 1960 Ugo Zagato foi galardoado com o prémio de design Compasso d'Oro para o design do Fiat Abarth 1000 Zagato. No âmbito da parceria com a Alfa Romeo, nasceram o Giulia SZ, a TZ, TZ2, 2600 SZ, o 1750 4R e o Zagato Júnior. Em parceria com a Lancia, Zagato continuou a série "Sport" com o Lancia Appia sport, o Flaminia, Flavia sport e Supersport e o Fulvia Sport e Spider., para além disso, havia alguns para clientes especiais como Osca, Lamborghini, Bristol, Rover, Honda e Fiat.
Um novo Ferrari Zagato, chamado 3Z, nasceu em 1971, graças a uma ideia de Luigi Chinetti da Ferrari NART (north american racing team) que financiou este angular spider. Foi introduzido em 1971 Salão Automóvel de Turim e marcou a saída definitiva dos antigos conceitos de formas voluptuosas para abraçar definitivamente os volumes quadrados de Lancia Fulvia Sport and Alfa Romeo Júnior Z. Três anos mais tarde Chinetti contacata a Zagato uma segunda vez para carro para ele. Baseado num um chassis 330 GTC, que teria sido um coupé com top removível, Este modelo foi chamado de 330 Convertible Zagato. A característica mais original é o tejadilho que pode ser desengatado e armazenado na mala. De Chinetti se veio outro pedido especial. Por esse tempo, ele iniciou um novo projeto para um quatro lugares diferentes, conceito com motor central que se tornou o Cadillac NART de 1970. Este magnífico exemplar de sexyness dos 70´s deve ter sido o mais luxuoso, sofisticado,4 lugares da altura. O motor do Cadillac Eldorado foi modificado um layout de motor central. Zagato foi convidado a construir o protótipo a partir dos desenhos e um modelo de argila que foi feito nos estúdios da GM. Após a sua conclusão, foi apresentado no Salão Automóvel de Turim 1971juntamente com um Fiat, com base no 132, chamado áster, e o Volvo GTZ.

 Nos anos 80 a procura de spiders e coupes exclusivos levou à criação de edições limitadas, numeradas. O Aston Martin Vantage e Volante Zagato foram a mais alta expressão da conjuntura económica e comercial. Além disso, o fabricante Milanês fez as carrocerias dos Maserati Spyder e Karif.
Nesta mesma altura para a Alfa Romeo produziu um carro que certamente irei mais tarde abordar nos ícones com mais pormenor, o SZ (1989) e roadster chamado RZ (1992) foram montadas para a Alfa Romeo. Era um coupé experimental que revisitava a lendária imagem deportiva  da Alfa Romeo, uma verdadeira besta de tração traseira Alfa Romeo, um símbolo de pedigree desportivo, hostil a qualquer compromisso revisitado. O seu design remete à filosofia dos coupés extremos que distinguem o histórico relacionamento Alfa-Zagato, o 1900 SSZ 1954, o Giulietta SZ 1960, o Alfa Giulia TZ e TZ2 e 2600 SZ 1965, Junior Z e Alfa Z6.
Este foi para mim o ultimo grande modelo da Zagato para o grande pulico, depois dos Alfa Romeo SZ e RZ a Zagato fechou-se mais sobre o design e a criação de concept cars. Podemos ver claramente no protótipo produzido para a Ferrari com base no 348, elementos mais tarde utilizados no 355 ou mesmo no Enzo. Mas este caminho levou a uma cada vez menor produção de modelos de grande consumo o que e uma pena. Espero que gostem desta nova cronica e apreciem as fotos das criações desta casa com muita história a desenhar sonhos.

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros