segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Ícones dos nosso tempos-Datsun 220c


Para começar a semana vamos falar sobre um carro do país onde dizem que nasce o sol. Um carro que certamente os que são da minha geração não se recordaram, no entanto quem teve o prazer de andar em algum recorda com muita saudade. E uma pena que já não existam muitos a circular, seriam certamente uma opção muito atrativa para quem procura um cruiser com muita pinta. Falo-vos de um Datsun que foi profusamente usado como táxi nas nossas praças no final dos anos 70 princípio dos anos 80, falo-vos do Datsun 220C, nomeadamente da sua quarta geração.
Este modelo que para alguns e completamente desconhecido, fez parte do catálogo Datsun em Portugal principalmente para uso como táxi, o que limitou a sua exposição ao público em geral, no entanto as suas qualidades de robustez, e fiabilidade mecânica era há prova de bala, o que levou a que fossem usados praticamente até há exaustão. Infelizmente grande parte foi abatida, um crime na minha opinião.


















Era um modelo de luxo com muita classe e um certo charme de rufia civilizado que na minha opinião o tornam uma excelente base par quem procura um clássico diferente. Em termos mecânicos as versões mais facilmente encontradas na europa são os diesel com o motor a ser idêntico aos das Nissan pick up da altura, o sd22, com 2.2cc e muita força bruta, já no que toca a velocidade esta não era a versão a procurar.
Dentro do catálogo proposto no japão esta aquele que mais me fascina, um 6 cilindros com 2.8cc, de 135 cv presente no Nissan Cedric coupé, mais conhecido nos mercados europeus como o 280c. Este sim era uma máquina com pinta,muita, muita pinta, era um sedan sem pilar B, muito ao estilo dos cadillacs da altura, e na verdade este era um verdadeiro Cadillac nipónico.

Deixo-vos com algumas fotos deste carro icónico que marcou presença em Portugal na década de 70 e início de 80 e fez frente aos mercedes da época, mostrando que não e preciso ser enfadonho para ser resistente. Um ícone de outros tempos que marcou pelo estilo, e como é óbvio pela robustez nipónica.

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros.





















sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Excentricidades - Ford Orion RS

Decidimos inaugurar mais um novo espaço, porque somos mesmo, mesmo viciados nisto.

Aqui vamos dar-vos a conhecer projectos individuais de todo o mundo, com especial atenção para carros que normalmente sejam um pouco injustiçados.


Sem medo de rótulos, este é o espaço do Vício dos Carros mais direccionado para o tuning.


Vamos começar por este belo exemplar: Um Ford Orion. 




Logo à partida, este Orion destaca-se da multidão pelas suas jantes especiais ao estilo Touring Car, umas Compomotive TH e o seu pára-choques dianteiro do Escort RS. Mas a modificação deste carro é mais profunda.



O que começou como um Orion 1.3, é agora alimentado por um 1800cc de 130 cavalos do Fiesta RS, acoplados à caixa de velocidades de um RS Turbo. Os travões também vêm desse carro.


Atrás encontramos a asa traseira de um Sierra Sapphire RS, mas a verdadeira surpresa está no interior, que foi completamente despido, apenas apresentando o tablier de origem, dois bancos Recaro e um volante RS, como não podia deixar de ser.





O resultado parece-nos bastante interessante, certamente digno das letras que ostenta nas diversas peças que adoptou de outros modelos. 


Este é o Ford Orion... RS.



Gonçalo Sampaio, no Vício dos Carros

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Criadores de sonhos-Zagato

Hoje no vício dos carros vamos dar início a uma nova rubrica onde vamos falar dos senhores por trás dos nossos objetos de desejo. Vamos falar de estilo, muito estilo. Vamos conhecer os criadores de sonhos, os seus projetos, e os modelos mais emblemáticos criados por eles. Para começar vamos falar de um senhor que deu origem a casa de design que criou alguns dos modelos, que eu pessoalmente mais aprecio. Vamos falar de Ugo Zagato, e da Zagato.
Comecemos pelo homem que deu o nome a esta instituição no que toca ao design, Ugo Zagato nasceu em junho de 1890. Sua carreira profissional levou-a ate indústria aeronáutica o que mais tarde se revelou uma grande influência sobre o seu design, em 1919 Ugo Zagato abriu a sua empresa, localizada em Milão. Especializou-se na construção metálica leve onde aplicou muito das técnicas que foi aprendendo durante o trabalho na indústria aeronáutica. A empresa cresceu rapidamente, e com ela cresceu também a reputação para a criação de automóveis aerodinâmicos, leves, desportivos e competitivos.












Desde o seu início a casa Zagato foi sempre extremamente requisitada para a criação de projetos sobre automóveis de todas as marcas, Alfa Romeo, Lancia, Fiat, Bugatti, Ferrari, Lamborghini, Rolls Royce, e praticamente todas asa marcas que possam imaginar a Zagato em alguma altura produziu um modelo especial, pelo que seria impossível abordar todos os modelos criados por esta casa num só post.
Ate finais dos anos 50 a Zagato estava mais focada na competição, e na criação de pequenas series de carros para competições como a mille miglia, aos campeonatos de Gt onde brilhou com as suas carrocerias durante varias décadas. Ate que por volta dos anos 60 houve uma viragem na orientação da empresa dando mais importância a carros de produção limitada com bases maioritariamente italianas. Em 1960 Ugo Zagato foi galardoado com o prémio de design Compasso d'Oro para o design do Fiat Abarth 1000 Zagato. No âmbito da parceria com a Alfa Romeo, nasceram o Giulia SZ, a TZ, TZ2, 2600 SZ, o 1750 4R e o Zagato Júnior. Em parceria com a Lancia, Zagato continuou a série "Sport" com o Lancia Appia sport, o Flaminia, Flavia sport e Supersport e o Fulvia Sport e Spider., para além disso, havia alguns para clientes especiais como Osca, Lamborghini, Bristol, Rover, Honda e Fiat.
Um novo Ferrari Zagato, chamado 3Z, nasceu em 1971, graças a uma ideia de Luigi Chinetti da Ferrari NART (north american racing team) que financiou este angular spider. Foi introduzido em 1971 Salão Automóvel de Turim e marcou a saída definitiva dos antigos conceitos de formas voluptuosas para abraçar definitivamente os volumes quadrados de Lancia Fulvia Sport and Alfa Romeo Júnior Z. Três anos mais tarde Chinetti contacata a Zagato uma segunda vez para carro para ele. Baseado num um chassis 330 GTC, que teria sido um coupé com top removível, Este modelo foi chamado de 330 Convertible Zagato. A característica mais original é o tejadilho que pode ser desengatado e armazenado na mala. De Chinetti se veio outro pedido especial. Por esse tempo, ele iniciou um novo projeto para um quatro lugares diferentes, conceito com motor central que se tornou o Cadillac NART de 1970. Este magnífico exemplar de sexyness dos 70´s deve ter sido o mais luxuoso, sofisticado,4 lugares da altura. O motor do Cadillac Eldorado foi modificado um layout de motor central. Zagato foi convidado a construir o protótipo a partir dos desenhos e um modelo de argila que foi feito nos estúdios da GM. Após a sua conclusão, foi apresentado no Salão Automóvel de Turim 1971juntamente com um Fiat, com base no 132, chamado áster, e o Volvo GTZ.

 Nos anos 80 a procura de spiders e coupes exclusivos levou à criação de edições limitadas, numeradas. O Aston Martin Vantage e Volante Zagato foram a mais alta expressão da conjuntura económica e comercial. Além disso, o fabricante Milanês fez as carrocerias dos Maserati Spyder e Karif.
Nesta mesma altura para a Alfa Romeo produziu um carro que certamente irei mais tarde abordar nos ícones com mais pormenor, o SZ (1989) e roadster chamado RZ (1992) foram montadas para a Alfa Romeo. Era um coupé experimental que revisitava a lendária imagem deportiva  da Alfa Romeo, uma verdadeira besta de tração traseira Alfa Romeo, um símbolo de pedigree desportivo, hostil a qualquer compromisso revisitado. O seu design remete à filosofia dos coupés extremos que distinguem o histórico relacionamento Alfa-Zagato, o 1900 SSZ 1954, o Giulietta SZ 1960, o Alfa Giulia TZ e TZ2 e 2600 SZ 1965, Junior Z e Alfa Z6.
Este foi para mim o ultimo grande modelo da Zagato para o grande pulico, depois dos Alfa Romeo SZ e RZ a Zagato fechou-se mais sobre o design e a criação de concept cars. Podemos ver claramente no protótipo produzido para a Ferrari com base no 348, elementos mais tarde utilizados no 355 ou mesmo no Enzo. Mas este caminho levou a uma cada vez menor produção de modelos de grande consumo o que e uma pena. Espero que gostem desta nova cronica e apreciem as fotos das criações desta casa com muita história a desenhar sonhos.

Helder Teixeira, no Vicio dos Carros



















quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Crónicas de um viciado

Quando me foi oferecida uma crónica aqui no Vício dos Carros, recebi carta branca em relação aos carros sobre os quais escreveria, liberdade total de escolha. Naturalmente, isto quer dizer que vou falar de Muscle Cars com uma certa frequência.

Não que eu seja o tipo de pessoa que prefere corridas entre semáforos a assapar por ruelas em paralelo, mas há qualquer coisa em ter riscas de corrida ou o capôt preto e fazer burnouts perfeitos alimentados por um motor generoso e um line lock para travar só as rodas da frente, que me faz sonhar acordado um pouco.

Isso leva-me ao carro de hoje, o Ford Torino Cobra de 1970 e 1971.






Optei por falar deste modelo específico, apenas destes dois anos de produção por algumas razões. Em primeiro lugar, a geração anterior é famosa pela sua invejável série de vitórias na NASCAR, com o Torino Talladega, depois, o modelo de 1972 teve direito a um filme inteiro com o seu nome, Gran Torino, realizado e protagonizado por Clint Eastwood, assim como o papel do carro vilão no quarto filme da série Velocidade Furiosa e, por último, o modelo de 1974 é o eterno carro de Starsky and Hutch. Isto deixa a geração de '70 a '71 quase esquecida e mais dificilmente exposta ao mundo para lá da América do Norte, que, logo por azar, inclui Portugal.

Para ajudar a localizar o Torino na parafernália de modelos da Ford nos Estados Unidos, ele era mais ou menos o equivalente a um Cortina MK3, ou Taunus TC, com versões de 4 portas e até carrinha, mas incluindo um descapotável. O Cobra estava limitado à versão fastback, ou Sportsroof. Era uma espécie de irmão mais velho do Mustang, como o Chevelle para o Camaro.

Mas, para além do tejadilho desportivo, o que tornava o Torino Cobra num carro especial, era, sem dúvida, o motor. Quando há pouco falei em motores generosos, escolhi cuidadosamente essas palavras para incluir tudo o que já foi colocado debaixo do capôt de um Muscle Car, desde 4 cilindros e V6 sobrealimentados aos Big Block V8's. O Torino Cobra era equipado com um dos últimos: 7 litros de metal bruto de Detroit, ou de Lima, no Ohio, que era onde o motor era fabricado, mas deu para perceber a ideia. São 7033 centímetros cúbicos, imaginem "7.0" na mala do vosso carro, sete vezes a cilindrada de um Ecoboost 3 Cilindros. Isto traduzia-se para 370 cavalos, todos a correr assustados pela mesma Cobra.



A caixa de velocidades era manual de 4 velocidades, com a opção da automática de 3, que permitiam levar a besta de cerca de 1700 kg até aos 217 km/h, fazendo 0-100 em menos de 6 segundos na versão manual.












A suspensão do Cobra era melhorada, os pneus traziam letras brancas de série, o capôt era pintado de preto baço (em 71 passaram a ser duas riscas) e tinha um buraco no meio para dar lugar a uma entrada de ar presa ao motor, que também era pintada de preto baço, criando desta forma o efeito de que o capôt abanava com o trabalhar do carro. A paleta de pintura era repleta de cores vivas, como o Grabber Blue, mas outras mais discretas como o Dark Ivy Green ou o próprio Raven Black.


Não é o tipo de carro que provavelmente vamos conduzir, nem tão pouco o carro que ambicionamos ter quando "formos grandes", mas se nos presentearem com uma quantidade avultada de dinheiro e decidirmos comprar um destes em vez de um Porsche 911, um Mercedes S500 ou um Ferrari Italia, vamos ser quem mais cabeças vira, e iremos cimentar a nossa reputação de connoisseur, assim como de viciado.


Gonçalo Sampaio, no Vício dos Carros